"No quartel de nossas Forças Armadas, em Três Corações, Minas Gerais, servia, nos idos de 1970, um valoroso confrade: o capitão César Reis.
Ele já era conhecido por todos os colegas como espírita convicto e dedicado pregador da Doutrina da Terceira Revelação.
Certa feita, um rádio amador transmitiu pelo ar uma mensagem, solicitando um expositor espírita para um hospital de hansenianos da cidade.
Logo os colegas de César lhe comunicaram o pedido, consultando-o se aceitaria a incumbência.
O prestimoso confrade procurou comunicar-se com uma das internas do Hospital.
– A irmã Isabel –, aceitando o convite e combinando a data para o início das pregações.
Entretanto, no dia aprazado, teve uma lastimável surpresa: o sacerdote católico, responsável pelos serviços religiosos do Estabelecimento, não lhe permitiu o ingresso para as pregações.
Pregasse o seu Espiritismo onde quisesse, menos ali dentro de seus redutos!...
César pôs-se em contato com a irmã Isabel e combinaram remediar a situação.
Como os muros que cercavam o Hospital não eram muito altos, ela reuniria os confrades e demais internos interessados, acomodados perto do muro e César falaria dos Evangelhos e da Consoladora Doutrina Espírita, o mais alto que pudesse..., do lado de fora!...
César lembrou-se de Ezequiel, 38:20, “Os muros cairão” e de Jesus: “O Evangelho do reino será pregado por todo o mundo”, Mateus, 14.14.
O combinado obteve bom resultado: os internos ouviram a pregação de dentro do Hospital e o estimado confrade pregava... atrás dos muros.
Acontece que as pregações agradavam de tal modo, que a notícia correu, célere, por todo o Hospital, granjeando um auditório cada vez mais numeroso.
César era pontual e o seu público cada vez mais o esperava ansioso. As palestras semanais prosseguiram, até que um fato inesperado aconteceu: o intransigente sacerdote convida o perseverante pregador a falar, dali em diante, de dentro do Hospital e não mais... de trás dos muros, porque o público se tornara tão numeroso que poucos sobravam para o zeloso sacerdote.
– Veja só o que o senhor conseguiu. Agora quase todos querem ouvi-lo e muito pouco restou para mim. O senhor me venceu.
O sacerdote abraçou o César que, enquanto esteve servindo no quartel de Três Corações, jamais faltou ao seu compromisso doutrinário, junto a seus irmãos hansenianos, mas, agora, do lado de dentro e não mais precisava pregar a Doutrina Espírita e os Evangelhos de Jesus... atrás dos muros".
Texto extraído da Revista Presença Espírita, órgão de divulgação do Centro Espírita Caminho da Redenção – Rua Jayme Vieira Lima, Pau da Lima 41235-000 – Salvador - Bahia.