Da Redação



Pausa para respirar

04-08-2014

Quando a vida começou a ficar mais corrida, quando o tempo parou de ser suficiente para tudo, quando a prioridade passou a ser "produzir", deixando de lado o "realizar"? - considerando "produção" questões de ordem material e "realização" algo mais moral, emocional, espiritual.

O fato é que há mil coisas a fazer, o plano físico exige dedicação ímpar para dar conta de tudo o que é preciso fazer, incluindo trabalhar, estudar, administrar o lar e os relacionamentos.

E nesse meio acabamos por deixar de lado a nós mesmos, não só quanto às questões da saúde e do emocional, mas do espiritual e moral. Esquecemos que precisamos de um tempo de silêncio para ouvir a própria alma, de intimidade para selar afetos, de alegria para não deixar morrer a criança que há em nós e que mantém a esperança e a coragem de agir.

Viver não se limita ao que fazemos por força das coisas. É preciso mais! Mais objetivos e ideais nobres, de longo prazo e não mensuráveis materialmente. Afinal, da Terra não se leva nada exceto o que somos, e o que somos não se define pelo que possuímos.

É preciso fazer as coisas do cotidiano sem esquecer do lado moral e espiritual de tudo, das conquistas do conhecimento que as experiências permitem realizar, sem olvidar o impacto espiritual de cada gesto, ainda que nascido da obrigação.

Quem não se dá voluntariamente essa pausa, pode acabar sendo coagido pelo próprio corpo a fazê-lo, pode acabar sendo obrigado através da saúde, a ficar quietinho num canto para rever seus conceitos e redescobrir os motivos pelos quais pediu para encarnar.

E é possível falar isso sem medo de errar.

Ainda que não esquecendo do objetivo maior de evoluir espiritualmente no atual personagem que hoje vestimos, e dedicando às coisas morais e do espírito, ao conhecimento e auxílio à alma do meu próximo, mesmo assim muitos acabam em um leito de hospital tratando uma deficiência de saúde, a qual parece definitivamente ter um foco principal: mostrar que a doença exige que cada pessoa reavalie o que efetivamente é importante para sua existência, sob pena de maiores sofrimentos.

Por isso, pelo que é possível aprender através da observação - própria e dos "vizinhos" – é que podemos dar um conselho valoroso: não esperem a doença ou a morte para pensar nisso, deem à alma uma pausa, parem para respirar.


Vânia Mugnato de Vasconcelos


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