Da redação



Reencarnação na obra dos grandes poetas

(Luís Carlos)

24-12-2011
             
Minha glória de amor, crenças vibrantes,
Ideais fagueiros de remotas eras...
Por que hei de conservar essas quimeras
Hoje, tais quais as conservara dantes?

Por que, visão de todos os instantes,
Se hoje o bem me não dás que ontem me deras
E vens das tuas rútilas esferas
Dourar-me os dias tão de mim distantes?

Ai como é triste a natureza humana!
Aspira sempre a um sonho acrisolado
Que de um futuro pródigo promana.

Futuro que ela frui quando é passado,
Pois, se o sonho lhe vem, tão breve a engana
Que ela o vê depois de o ter sonhado!

(Poesias escolhidas, Rio de Janeiro, Livraria São José, 1970, p. 43 – Preâmbulo de Luiz Carlos Júnior e Lasinha Luiz Carlos)


Nota do Organizador: Pelo que se encontra nas dobras do livro, objeto de nosso estudo, o poeta pertenceu a uma família aristocrática. Senão vejamos: “Luis Carlos da Fonseca nasceu no Rio de Janeiro a 10-4-1880 e faleceu na mesma cidade, a 16-9-1932. Era filho do Dr. Eugênio Augusto de Miranda Monteiro de Barros, médico e diretor da Secretaria do Império e de D. Francisca Carolina Werna Magalhães da Fonseca Monteiro de Barros e bisneto de José Paraopeba.

Pelo lado materno, era neto do Dr. Carlos da Fonseca, senador por Minas Gerais e médico do Imperador e bisneto de D. Mariana de Werna Magalhães Coutinho, condessa de Belmonte. Casou-se em 1900 com D. Glicka de Suckow, filha do Dr. Gustavo Adolfo de Suckow e de D. Rita Clara Monteiro de Barros Suckow, e deixou três filhos: Luís Carlos, Celso e Glicka (Lasinha).

Formado em engenharia pela Escola Politécnica, pertencia ao quadro de engenheiros da Estrada de Ferro Central do Brasil, onde galgou todos os postos. A 24 de outubro de 1930, ao triunfar a revolução deflagrada no país, foi aclamado pelos funcionários, diretor daquela ferrovia, sendo essa decisão, na mesma data, homologada por decreto da Junta Pacificadora que assumira o Governo.

Ocupou vários postos de relevância no país. No início da sua carreira residiu em Desengano (hoje Juparanã), Estado do Rio, em Lafayette e Barbacena, Minas Gerais, e posteriormente na Capital do Estado de São Paulo, onde o seu nome foi dado a uma das estações da Central. Em 1917 transferiu-se definitivamente para o Rio de Janeiro.

Somos ainda informados que seu livro de estreia como poeta intitula-se Colunas (Edição Jacinto Ribeiro dos Santos – Rio, 1920), aparecendo com sucesso excepcional, saindo em 1926 a 2ª edição, impressa em Paris. Em prosa, publicou Encruzilhada, no Rio, em 1922. Astros e abismos – versos, saíram em 1914, com nova edição no ano seguinte. Em 1926 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, na vaga de Alberto de Faria (cadeira cujo patrono é João Francisco Lisboa), sendo saudado solenemente na recepção, por Osório Duque Estrada, considerado o maior e mais temido crítico literário da época. De janeiro de 1927 até falecer, em 1932, LUIS CARLOS ocupou na Casa de Machado de Assis a função de diretor-tesoureiro.

A fotografia de Luis Carlos é apenas encontrada no citado livro de sua filha, Lasinha, e, agora, obtida por via eletrônica.

No poema Violão de lágrimas, vazado em sete sextilhas, com versos setissílabos, encontramos beleza, na primeira e na terceira (p. 64), algo que nos interessa de perto:

“Velho violão silencioso,
Quis hoje evocar o gozo
Que desfrutamos os dois
Tanta vez, noites inteiras,
Debaixo de altas palmeiras
Como iguais não vi depois.

Quanta cousa indefinida
Me dizias desta vida,
Gemendo, ao clarão do luar!
E que segredos profundos
De outras vidas, de outros mundos,
Em teus sons a perpassar...”

Quero dedicar este modesto estudo ao espírito Neusa Botta, nascida em Uberaba-MG, a 14-11-1963 e aí desencarnada em 18-2-2007, companheira de ideal espírita e grande médium psicógrafa, que sempre me afirmava, ao encontrar-me, depois de algumas palestra: “Todos os dias sinto a presença de um poeta chamado Luís Carlos, que pretende escrever por meu intermédio. Será que existe mesmo esse poeta ou tudo que me vem à mente é fruto de minha própria imaginação?”.

Prometi à inesquecível amiga, que tanto trabalhou, com amor, em benefício dos pacientes chamados terminais, numa Clínica de Oncologia, o Hospital Dr. Hélio Angotti, um dia escrever sobre o poeta que tanto desejava transmitir, através de sua mediunidade, versos edificantes. Aconteceu com a nossa Neusa o que ocorre com a maioria dos médiuns psicógrafos iniciantes: medo de apor o nome ao final de uma página mediúnica, seja em verso ou em prosa, tudo naturalmente devido à insegurança e medo de crítica dos que participam das tarefas medianímicas. Que fique isto aqui registrado, com vistas a solicitar aos médiuns, psicógrafos ou psicofônicos, que procurem combater em si mesmos o orgulho e estudem, com afinco, a Doutrina Espírita, a fim de se tornarem bons instrumentos, cumprindo com os compromissos assumidos na espiritualidade, antes do atual período reencarnatório, tudo, naturalmente, devendo passar pelo crivo da razão.

Belíssimos todos os sonetos de Luís Carlos, que foram enfeixados no seu Poesias Escolhidas, mas rogamos permissão para transcrever somente este, intitulado:

EXORTAÇÃO
“Sofre, mas não declines da confiança
Que sereno puseste no futuro,
Se és bom, tens o caminho mais seguro:
O bem é uma subida que não cansa.

Sofre, que o sofrimento é uma esperança
Em que deseja revelar-se puro.
─ Que fora o claro se não fora o escuro?
Sem sofrimento a glória não se alcança.

Não te assustem as pedradas. Olha o mundo
Com os olhos virgens dos relances da ira.
Vê que o solo, ferido, é mais fecundo.

E se tens n’alma o Céu, por que temê-las?
As pedras que o homem contra Deus atira,
Ao contato do Céu, tornam-se estrelas!”

Elias Barbosa

Obs: Este trabalho de pesquisa é de Elias Barbosa, médico psiquiatra e professor da Faculdade de Medicina de Uberaba-MG, que desde o final da década de 1950 trabalhou junto a Chico Xavier, colaborando de forma expressiva.

Nasceu na cidade de Monte Carmelo-MG, em 12-7-1934 e deixou o convívio terreno em 31 de março de 2011. Casou-se com a Sra. Cândida Flávia, tendo 8 filhos.

A parte em itálico acima, está por conta desta Redação, que endossa esse feliz comentário sobre a mediunidade iniciante, cujo receio de se expor atua como condição impeditiva para o médium, que se inibe em atender ao espírito solicitante. A questão da confiança é, de fato, delicada. A única maneira é atender ao espírito e conferir o resultado apresentado.

Do AE de 2010 – IDE= Instituto de Difusão Espírita-Araras-SP

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