Nosso grupo de amigos, antes da reunião, discutia sobre os problemas da nossa época. Todos partilhávamos da conversação, tratando da renovação do nosso mundo. Salientávamos as dificuldades espirituais em curso.
O horário chamou-nos às tarefas programadas. E depois da prece inicial, O evangelho segundo o Espiritismo nos ofertou para estudo o item 19 do capítulo III. Os comentários dos companheiros a respeito foram os mais valiosos. E ao terminar a nossa reunião, foi Emmanuel quem trouxe a página mediúnica de complementação dos estudos.
Nota – O item citado trata da evolução dos mundos e refere-se especialmente à Terra, concluindo pela afirmação de que o nosso planeta se encontra “num dos seus períodos de transição, em que passa de mundo expiatório a mundo de regeneração”. As crises que o abalam são apenas sintomas desse lento processo de sua transformação.
“Época de transição”: esta é a legenda que repetis frequentemente para definir a atualidade terrestre, em que surpreendeis, a cada passo, larga fieira de ocorrências inusitadas.
Conflitos.
Desencarnações em massa.
Acidentes enlutando almas e lares.
Desvinculações violentas.
Dramas no instituto doméstico.
Processos obsessivos, culminando com perturbações e lágrimas.
Moléstias de etiologia obscura
Incompreensões.
Forçoso observar, no entanto, que o plano físico e o plano espiritual que se lhe segue reagem constantemente um sobre o outro. Criaturas desencarnadas atuam no ambiente dos companheiros encarnados e vice-versa. E se vos reportais ao término do segundo milênio de civilização cristã em que vos achais, com a expectativa e o entusiasmo de quem se vê à frente de uma era nova, as mesmas circunstâncias se verificam na espiritualidade, entre aqueles que aspiram a obter o retorno à Terra, expressando propósitos de autoburilamento em nível mais alto de evolução.
É por isso que legiões enormes de irmãos, domiciliados no mais além, vêm solicitando, desde algum tempo, reencarnações difíceis; testemunhos acerbos de aperfeiçoamento íntimo; tempo curto no veículo físico, de modo a complementarem tarefas inacabadas em diversos setores da experiência humana; presença ligeira, junto de seres queridos, a fim de chamá-los à consideração da vida superior; ou empreitadas de serviço moral para a liquidação de empreendimentos redentores, largados por eles nos caminhos do tempo.
Para isso, tentam aproveitar-se da última vigésima parte do segundo milênio, a que nos referimos, para encerrarem o balanço das experiências menos felizes que lhes dizem respeito nos séculos últimos.
Perante a vida maior, quase tudo aquilo que vedes, presentemente, em matéria de agitação ou desequilíbrio, nada mais significa que a movimentação mais intensa de vastas coletividades que retornam à esfera física, em regime de urgência, no intuito de conseguirem retoques e meios com que possam abordar os tempos novos em condições mais dignas de trabalho e progresso.
Mantenhamo-nos prudentes, abstenhamo-nos de agravar dificuldades, evitemos a formação de problemas, orando e construindo, seja nos obstáculos que nos atinjam, seja nas inquietações que assaltem aos outros. Mas sejam quais forem as circunstâncias, estejamos atentos à fé para servir e compreender, reconhecendo que todas as provas de hoje são recursos e instrumentos de que se vale a providência divina a fim de conduzir-nos à vida melhor de amanhã.”
Estamos no palco do mundo e participamos do ato final de uma fase de evolução do planeta. Envolvidos na ação de figurantes, cada qual em seu papel, não vemos o que se passa nos bastidores. Emmanuel, com sua mensagem, nos mostra o que está acontecendo nas antecâmaras. E essa revelação das atividades do mundo oculto dá sentido ao que nos parece absurdo, mostra-nos a unidade e a coerência da dinâmica evolutiva a que estamos submetidos nesta hora grave, e não obstante auspiciosa, da vida terrena.
Quem leu o prefácio do livro Ave Cristo!, de Emmanuel, referente à fase de transição do mundo pagão para o mundo cristão, pode estabelecer valioso paralelo. A fase atual é mais intensa, porque mais adiantada. Avançamos agora decisivamente para o milênio de regeneração da humanidade terrena. Multidões de espíritos reencarnam-se em regime de urgência, como explica Emmanuel, submetendo-se por assim dizer aos últimos exames de adaptação ao curso superior que devem fazer.
Confirma-se assim a teoria espírita da evolução dos mundos. Há mais de cem anos Kardec divulgou o ensino dos espíritos a respeito, anunciando que já no século passado se iniciara a fase preparatória da grande transição. Dali por diante, a partir da Guerra da Itália (1859-60), desencadeou-se o processo de transformação que culminaria nas duas Guerras Mundiais de 1914-18 e 1939-45. Essa última conflagração acelerou, como estamos vendo, o processo evolutivo, abrindo perspectivas novas em todas as direções do progresso terreno. Guerras e revoluções são cataclismos sociais destruindo estruturas arcaicas para que novas estruturas possam surgir.
Muita gente pergunta para onde vai o mundo, com tantos conflitos e desequilíbrios. Mas acaso existem modificações profundas sem abalos profundos? Os que se desesperam ante os problemas da atualidade não alcançam o sentido real dos acontecimentos. O espiritismo nos oferece a chave do enigma. Tudo se transforma ao nosso redor, porque um novo mundo está nascendo. Não há motivos para decepção. Basta ver que ao lado das aflições florescem grandes esperanças. A Terra amadureceu em seu processo evolutivo e as leis de Deus se cumprem à revelia da incompreensão humana.