Distinção do magnetismo - fluido espiritual e fluido humano

02-12-2010

Há que se considerar duas forças atuantes na natureza.

A primeira , de ordem espiritual, suplanta qualquer dificuldade terrena e todos os meios físicos disponíveis, pois pertence ao mundo extra-corpóreo e está a cargo de Espíritos Superiores, empenhados na melhoria das virtudes e no aprimoramento do homem. Pode-se considerar que no plano espiritual também o magnetismo está presente, pois a fonte desse benefício está na própria natureza, no ambiente em que se vive, como parte integrante do Cosmos.

Considera-se, então, fluido espiritual, a força que se recebe do plano invisível. É a manifestação dos Espíritos em auxílio aos encarnados, o que não altera a sua condição de fluido magnético, já que todo envolvimento entre os planos, espiritual e físico, acontece por conta do fluido. O próprio espírito está preso ao corpo através do fluido magnético, razão porquê os laços não se rompem; se soltam por ocasião da morte, cessando a imantação.

A segunda, de ordem puramente material, com o nome de magnetismo humano ou animal, embora absolutamente nada tenha a ver com a primeira, de ordem espiritual, está intimamente ligada a esta e poderá, se necessário for, ser empregada em conjunto. Para as situações em que essas duas forças se integram, a sinergia ou mistura resultante torna-se então muito mais eficiente.

O fluido está sujeito, e sempre, às leis de atração, repulsão e afinidade.

Em questão formulada à espiritualidade , do porquê das pessoas não terem a mesma força mediúnica, a resposta é clara:

“Isso depende do organismo e da maior ou menor facilidade com a qual a combinação dos fluidos pode se operar; depois, o Espírito do médium simpatiza mais ou menos com os Espíritos estranhos que nele encontram a força fluídica necessária. Ocorre o mesmo com essa força, como ocorre com a dos magnetizadores, sem ser maior ou menor. Sob esse aspecto, há pessoas que são inteiramente refratárias; outras nas quais a combinação não se opera senão por um esforço de sua vontade; outras, enfim, nas quais ocorre tão naturalmente e tão facilmente, que nem desconfiam disso, e servem de instrumento sem o saberem, como já dissemos”.

Tanto o magnetismo animal (anímico ou humano) como a mediunidade em si, em todas as suas variedades, bem como os fenômenos decorrentes de ambos os casos, revestem-se do fluido cósmico (ou universal), em suma, do fluido magnético.

O pensamento, como se sabe, exerce uma ascendência sobre o fluido, que atuará como veículo de sua vontade, quer seja no momento em que se recolhe no instante da oração, ou no desejo de cura, quando se pretende alcançar o auxílio da espiritualidade para o fim que se almeja.

Idêntico procedimento, na questão da concentração do pensamento e da vontade, quando na simples vontade de deslocar objetos, pessoas ou coisas. Para o primeiro caso, o fluido espiritual (magnetismo espiritual) estará agindo sobremaneira para trazer o benefício que se pretende. Já o segundo caso, o fluido animal (magnetismo animal) estará presente, agindo como força propulsora, sem que necessariamente se tenha o concurso dos espíritos.

Não podemos discordar das propostas deixadas nas dissertações de ‘Michaelus’, pseudônimo do Dr. Miguel Timponi (1893-1964), quando sugere que os magnetizadores sejam classificados entre os médiuns curadores. Aliás, o trabalho de Michaelus foi voltado para a valorização do magnetizador, considerando que este, dotado desse dom, se acha em condições de promover o bem estar físico dos que se acham em desequilíbrio, desde que o faça com fé, visto que quanto mais se elevar espiritualmente, muito maior será o poder e a capacidade da irradiação.

Para as questões relacionadas com os milagres, onde a presença do fluido é uma necessidade, os fenômenos que não seriam esclarecidos de outra maneira, Kardec os explica e revela “... que o magnetismo, uma lei, se não desconhecida, pelo menos mal compreendida, ou para melhor dizer, conheciam-se os efeitos, porque se produziram em todos os tempos, mas não se conhecia a lei e foi a ignorância dessa lei que engendrou superstição. Conhecida a Lei, o maravilhoso desaparece e os fenômenos entram na ordem das coisas naturais”.

O importante é reconhecer a presença imprescindível do fluido magnético em quaisquer das situações em que se atua.


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