Na agonia da luz o astro-rei purpurina... Leves tarjas de noite a manchar o horizonte... Uma estrela a piscar remove a névoa fina E espelha-se, feliz, no regato defronte... Soluça um pombo além e se alteia e se inclina E voa sem que o Sol novo rumo lhe aponte... Humilde rola chora a gemer na campina, Alheia ao prado em flor e à carícia da fonte... Chega a sombra afinal... Aparece a tristeza No arrulho que ficou por gemidos em bando, Quais cordas a estalar numa lira retesa... Assim, num dia assim, a morrer sem alarde, Chorando eu disse adeus e ele partiu chorando, A renascer na Terra onde estarei mais tarde... -o-
Do livro Antologia dos Imortais, de Espíritos diversos, por Francisco Cândido Xavier e Waldo Vieira- Ed. Feb - Federação Espírita Brasileira - Rio de Janeiro-RJ.
Observação constante nessa obra: Francisca Júlia da Silva versejou em importantes periódicos de São Paulo, e na A Semana, do Rio.
João Ribeiro, Olavo Bilac, Agrippino Grieco e até mesmo Machado de Assis teceram largos elogios aos versos de Francisca Júlia, versos que plasmaram o ideal extremo da beleza, segundo as palavras de Manuel bandeira.
Em torno de sua desencarnação, diz Péricles Eugênio da Silva Ramos: "O que de positivo pude apurar, ouvindo testemunhas até oculares, foi que no dia da morte de Edmundo (Filadelfo Edmundo Munster) a poetisa se retirou para repousar, e não mais acordou, apesar dos esforços médicos para reanimá-la, vindo a falecer na manhã do dia do enterro do marido."
Nasceu na cidade de Xiririca, atual Eldorado, no Estado de São Paulo, em 31 de agosto de 1874 (1871, segundo alguns), desencarnando em São Paulo, em 01 de novembro de 1920.