Não digas, alma irmã, que a Terra é triste, A Terra, em toda parte, é iluminada escola E a grandeza de Deus, em tudo quanto existe, É a luz que apóia, cria, equilibra e consola. Do resplendor solar aos abismos do mundo, De esfera a esfera, e,m paz, a vida se confia Ao sublime poder do amor terno e profundo Que envolve a própria dor em perpétua alegria. A natureza inteira é sempre um livro aberto. A noite, dá medida ao tempo da alvorada, Tudo é renovação, a campo descoberto, Dos detritos do chão à abóbada estrelada. Da rocha ei-la a surgir: a fonte viva e pura; E, beijando o calhau que se lhe atira à face, Estende no deserto impérios de verdura Esparzindo a esperança em que a vida renasce. Do lenho dado ao fogo o calor se derrama, Faz-se a gleba jardim, ao golpe de tratores, E uma simples semente acomodada à lama, Transforma o próprio charco em berçário de flores. Escuta, coração!... Perdoa, serve e aceita, A lágrima por luz nas tarefas que esposas, Sofrimento constrói a Harmonia Perfeita, A treva aponta a estrela, os espinhos dão rosas!... Só no amor há poder divino e incontroverso Que abraça anjos e réus, santos, crentes e ateus, E o amor em sacrifício é a força do Universo Que revela a Bondade e a Presença de Deus.
Essa mensagem poética foi psicografada por Chico Xavier, durante entrevista concedida por Hebe Camargo, em 17 de setembro de 1973, na antiga TV Record, Canal 7, no Horto Florestal Paulistano. A apresentadora solicitou ao médium mostrar ao público telespectador essa atividade tão profícua e tão generosa, demonstrada durante toda a sua vida. Chico pediu, então, um fundo musical e uma mesa, cujo resultado foi esse poema de Maria Dolores (1900-1959), cujo nome verdadeiro é Maria de Carvalho Leite.