REMORSO

(Alberto de Oliveira)




Ante o jugo da prova, o homem desespera,
Gesticula e blasfema em delírios de louco,
Caminha vacilante e desce, pouco a pouco,
À escuridão do abismo onde a descrença impera.

A vaguear sem rumo, enceguecido e mouco
Aos apelos do Amor que a vida regenera,
Alteia a voz e diz que o mundo é uma quimera
E viver ou morrer importa-lhe tampouco...

Desprezando as lições do Inolvidável Mestre,
Rebelde, ele atravessa a existência terrestre,
Que, para retomar, desde muito me esforço...

Mas, quando chega a morte e o despoja de tudo,
Vendo a vida que segue, ei-lo a quedar-se, mudo,
Mergulhado na dor de profundo remorso!


Do livro Jardim de Estrelas, de Espíritos diversos, por Carlos A. Baccelli – DIDIER – Casa Editora Espírita “Pierre-Paul Didier” – Votuporanga-SP.

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